Nasce Uma Estrela

“Com grandes atuações de Bradley Cooper e Lady Gaga, remake de musical clássico marca a largada para a corrida do Oscar do próximo ano”

Por Luís Gustavo Fonseca

Atualmente, muito critica-se o pensamento hollywoodiano de fazer grandes remakes de obras do passado, sejam elas grandes franquias ou obras clássicas. Entretanto, algumas vezes, as novas versões destes filmes servem de porta de entrada para apresentar histórias fascinantes para um novo público, com um outro apelo. Esse é o caso da nova versão de “Nasce Uma Estrela”, que estreia nesta quinta-feira (11) no Brasil, e que traz consigo um legado de grande responsabilidade, que já conquistou o público em diferentes oportunidades no passado. As três versões anteriores do filme, lançadas em 1937, 54 e 76, acumulam juntas 17 indicações Oscar, com dois prêmios conquistados, além de um Oscar honorário.

O novo longa apresenta uma trama semelhante ao dos filmes anteriores: o cantor Jackson Maine (Bradley Cooper, de “Vingadores: Guerra Infinita”) tem uma carreira de sucesso, mas também enfrenta seus próprios demônios, sobretudo o alcoolismo, o que vem deteriorando sua saúde. Após um show, ao entrar em um bar, ele acaba conhecendo Ally (a cantora Lady Gaga, da série “American Horror Story“), uma moça que sonha em ser uma cantora de sucesso, mas não acredita que possa realizá-lo. Encantado pela voz e performance de Ally, Jack pede para que ela comece a se apresentar ao lado dele. Isso fará com que ela se torne um fenômeno do mundo musical, mas à medida que sua vida profissional vai decolando, o seu relacionamento com Jack enfrenta altos e baixos.

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A produção marca a estreia de Cooper no cargo de diretor, com ele também sendo responsável pelo roteiro, ao lado de Will Fetters (“O Melhor de Mim”) e Eric Roth (“O Curioso Caso de Benjamin Button”). O primeiro ponto positivo a ser destacado é como o trio de roteiristas compreende o quão emotiva e humana a história precisa ser para envolver emocionalmente o seu público. Por mais que a jornada de Ally conte com uma grande dose de sorte, na qual ela foi descoberta por um acaso por alguém famoso dentro da indústria musical, o desenrolar de sua história acontece de forma muito orgânica, sem a impressão de ser algo forçado, fantástico. Existe uma humanidade muito grande ao desenvolver as decisões, reações e interações dos personagens, dando uma atmosfera de verossimilhança para a obra.

Claro que, por vezes, a edição faz com que a história pule de forma muito abrupta entre os diversos momentos da relação entre Jack e Ally, dando um ritmo mais acelerado para a obra. Contudo, isso não atrapalha a dinâmica do filme, que consegue ser constante e agradável em mais de suas 2h de projeção. O alcoolismo de Jack e os danos que isso causa em seu julgamento deixam claro o conflito que haverá entre ele e Ally, mas o texto surpreende ao adiar esse confronto ao máximo, optando por desenvolver o relacionamento dos dois. Se por um lado isso é bom para aprofundar os personagens, por outro, ele acaba desequilibrando a parte dramática do longa, esvaziando um pouco de seu segundo ato.

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O esforço do roteiro em apresentar dois personagens empáticos, apesar de não perfeitos (sobretudo no caso de Jack), casa perfeitamente com as atuações da dupla protagonista, que são o principal trunfo da obra. A química entre Gaga e Cooper funciona de maneira natural e emotiva, mas com a carga dramática necessária para que o romance não seja portado como um simples conto de fadas. E são, de fato, duas atuações que devem ser lembradas na temporada de premiações que se aproxima. Se Cooper já havia provado seu talento na atuação em outras ocasiões (e aqui ele está em ótima forma), ele surpreende ao soltar a voz nas sequências musicais da obra, sem deixar que haja disparidade ao contracenar com Gaga nesses momentos.

Já a cantora prova de vez sua versatilidade artística e talento para atuar em frente às câmeras, em um trabalho seguro, cheio de presença e que se destaca dentro da obra, lidando muito bem com a responsabilidade de protagonizar o filme. Além de cantar e atuar em alto nível, Gaga, ao lado de Cooper, também foi responsável por escrever as novas canções do filme, e uma delas (ou até mais de uma), sem dúvidas, será indicada ao Oscar de Melhor Canção Original. Aliás, uma sacada inteligente do roteiro é o paralelo feito entre a carreira de Ally e as canções compostas por ela, e como elas refletem os diferentes estados emocionais que ela se encontra no longa.

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O primeiro trabalho na direção de Bradley Cooper mostra que ele tem potencial para se tornar um bom diretor no futuro. Seguro, ele acerta ao proporcionar enquadramentos mais intimistas para os personagens, fazendo com que a câmera esteja próximo deles (seja em ângulos frontais ou nas costas deles), mas sem estar demasiada colada nos personagens, de maneira claustrofóbica e que acabe perdendo o foco. O uso das luzes nos cenários, além da iluminação nas cenas noturnas, são um toque especial do diretor de fotografia Matthew Libatique (“mãe!”), que ajuda a tornar a obra ainda mais bonita.

Ao final da obra, “Nasce Uma Estrela” cumpre não apenas a missão de apresentar a clássica história para um novo público, como também se mostra a altura do legado de suas outras versões – e até mesmo um convite para que as pessoas conheçam os trabalhos anteriores. Com sua estreia, foi oficialmente dada a largada para a corrida do Oscar de 2019, com grandes chances da  produção ser lembrada em várias categorias do prêmio.

Nota: 8/10.

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