Bohemian Rhapsody

Homenagem à icônica banda britânica tem como destaque atuação sólida e convincente de Rami Malek como Freddie Mercury”

Por Luís Gustavo Fonseca

Mais difícil do que nunca ter ouvido falar de Queen, é nunca ter ouvido alguma das músicas da famosa banda britânica. Desde o seu surgimento nos anos 1970, o Queen conquistou milhões de fãs pelo mundo, emplacando composições emblemáticas que conquistaram o imaginário do público. “Bohemian Rhapsody” se propõe a retratar um pouco de tudo o que a banda representa, mostrando a origem e a escalada ao topo, passando pela composição das músicas mais famosas, aos conflitos de Freddie com os demais membros, além de mostrar seus próprios medos e inseguranças, o que o distanciou de seus colegas e prejudicou a sua saúde.

Assim como é impossível falar de Queen sem falar de Freddie Mercury (e vice-versa), não dá para falar do filme “Bohemian Rhapsody” sem abordar a atuação de Rami Malek. O ator, que ganhou um Emmy pelo seu trabalho na aclamada série de crítica e público “Mr. Robot”, tinha um difícil trabalho pela frente. Afinal, além de ser encarregado da missão de dar vida a uma figura muito conhecida, também tinha que fazer jus a uma voz icônica, difícil de se reproduzir.

bohemian rhapsody 01

Mas ele entrega. Convincente, Malek apresenta segurança e personalidade ao viver o cantor, tendo uma presença que domina a tela, tanto nos momentos mais íntimos – nos quais ele explora bastante a solidão e as fragilidades do cantor – quanto ao subir nos palcos. Em várias das sequências de shows e apresentações, é possível ver que é realmente o ator soltando a voz e conseguindo fazer jus a Freddie, consolidando um dos trabalhos mais maduros de sua carreira.

E ele não é o único. Apesar de o foco estar em Mercury, o elenco de apoio também mostra um bom trabalho, sobretudo porque a sintonia entre os atores funciona. Ben Hardy (X-Men: Apocalipse), Joseph Mazzello (“G. I. Joe – Retaliação”) e Gwilym Lee (da série “Midsomer Murders”) vivem, respectivamente, o baterista Roger Taylor, o baixista John Deacon e o guitarrista Brian May, e cada um deles consegue acrescentar as diferentes personalidades que os membros têm, o que os torna mais reais.

Lucy Boynton (“Assassinato no Expresso do Oriente”), intérprete de Mary Austin – o grande amor de Freddie, que o inspirou a compor “Love of My Life” -, traz consigo uma carga emocional importante para a trama, já que ela e Malek compartilham várias das cenas mais emotivas da história, sem que ninguém deixe a peteca cair.

bohemian rhapsody 04

Se não é 100% redondo, o roteiro, assinado por Anthony McCarten (“O Destino de Uma Nação“), é consistente na maior parte do tempo. Para os fãs da banda e do cantor, a produção pode ter deixado de lado passagens importantes desta trajetória, mas o texto se preocupa em ser abrangente e apresentar aquelas pessoas, também, para um público que não está familiarizado. Entre turnês internacionais e a composição das músicas, McCarten consegue alternar de forma satisfatória entre os momentos de espetáculo, em que o espectador tem a chance de ouvir Queen no cinema, com aqueles mais dramáticos da vida de Freddie (alguns dos trechos em que a atuação de Malek fica mais intensa), dando maior peso para a trama. Isso gera um bom ritmo para a obra, que não cansa em suas 2h14 de projeção e consegue dar um bom panorama geral da história do artista.

Mesmo assim, o roteiro peca em alguns aspectos. A bissexualidade de Freddie, pedaço importante de sua vida, poderia ter sido melhor explorada na produção, mostrando a relevância que isso teve na caminhada do cantor e na construção de sua história. Se o seu problema com alcoolismo se faz presente no decorrer da história, a questão das drogas também é explorada de forma sutil, tirando o peso de como isso afetou a sua saúde – sobretudo após ele receber o diagnóstico de AIDS.

BOHEMIAN RHAPSODY

Por outro lado, o texto sabe desenvolver a relação dos personagens e, com isso, o próprio Freddie, mostrando como suas mudanças no decorrer da carreira alteraram seu modo de viver e interagir com os outros. Isso acaba aprofundando os personagens, tornando-os mais críveis. Outro fator que colabora para isso é que as personalidades dos membros da banda são desenvolvidas. Como eles mesmo destacam, cada um tem uma personalidade distinta, mas é essa mistura entre eles que faz do Queen o Queen.

Como era esperado, a parte sonora do filme é um primor, e para aqueles que tiverem a oportunidade de assistir nas salas em IMAX, o valor do ingresso vale a pena: o áudio do formato ajuda a valorizar as músicas da trilha. A caracterização também executa um papel importante, tanto no visual dos personagens quanto nas vestimentas usadas, sobretudo no caso de Freddie. Elementos que tornam o filme ainda mais imersivo.

bohemian rhapsody 06

Porém, a parte mais frágil da produção acaba sendo a direção. Bryan Singer (“X-Men: Apocalypse”) havia sido contratado para comandar a obra, mas acabou sendo substituído por Dexter Fletcher (“Voando Alto“) após brigas com Rami Malek durante as filmagens, e foi desligado do projeto. O resultado é uma direção pouco inspirada, que apresenta uma condução muito mais no “piloto automático” do que algo mais inventivo e criativo, com enquadramentos mais ousados ou mesmo que ajudem a destacar as canções da banda. Existem exceções, como a montagem que mostra a composição de “Bohemian Rhapsody” e “We Will Rock You” ou a fidelidade em relação à apresentação da banda no Live Aid. Entretanto, ainda é o ponto mais baixo da produção.

O clímax do longa é de levantar o público, fazendo com que “Bohemian Rhapsody” consiga ser uma obra que alcance tanto os fãs do Queen, quanto aqueles que têm a oportunidade de descobrir mais sobre a trajetória da banda, servindo de incentivo para conhecer mais a fundo o trabalho deles. Um bom tributo para os artistas, que são explorados não somente como ícones, mas também como humanos.

Nota: 7,5/10.

Anúncios

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s