Bumblebee

Spin-off  propõe algo diferente e traz novo gás franquia, mas ainda repete alguns dos erros da saga

Por Luís Gustavo Fonseca

Ao longo da última década, “Transformers” se transformou em uma das franquias mais lucrativas do cinema. A saga, comandada em todos os seus cinco filmes por Michael Bay, tornou-se um fenômeno, faturando mais US$ 4,4 bilhões em todo mundo. Contudo, a franquia nunca foi uma queridinha dos críticos, e mesmo o público, agora, aparenta não ter mais o mesmo interesse de outrora. “O Último Cavaleiro”, lançado em 2017, foi o que teve o pior desempenho nas bilheterias. Diante deste cenário, a Paramount optou por dar um gás novo e inovador para este universo, produzindo o primeiro spin-off da franquia, centrada em um dos coadjuvantes mais conhecidos das tramas: Bumblebee.

O longa funciona como um antecessor ao do primeiro filme, e mostra como Bumblebee chegou a Terra, em 1987. Enviado por Optimus Prime para defender o planeta e assegurar que aqui pudesse ser um ponto de encontro seguro para a resistência dos Autobots, após a queda de Cybertron, Bee é instantaneamente atacado por um dos agentes dos Decepticons ao chegar. A batalha o deixa gravemente ferido, fazendo com que ele perca a memória e o módulo de voz. Para sobreviver e se disfarçar, ele copia a forma de um fusca amarelo, e só é descoberto quando a jovem Charlie Watson (Hailee Steinfeld, de “A Escolha Perfeita 3”) o encontra em um ferro velho. A partir daí, ao mesmo tempo que uma amizade verdadeira entre os dois se inicia, eles terão que tomar cuidado para que o Autobot não seja descoberto, uma vez que ele continua sendo caçado.

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Na tentativa de trazer algo de novo e de diferente para a franquia, a direção do longa fica nas mãos de Travis Knight (“Kubo e as Cordas Mágicas”), substituindo Michael Bay. A mudança, de fato, traz uma visão distinta deste universo, deixando de lado as grandes e megalomaníacas batalhas, o escopo épico e o senso de urgência das obras anteriores.

Knight se propõe a uma abordagem mais íntima e até mesmo saudosista, resgatando a pegada de filmes da década de 80. Isso ocorre na fotografia, que opta por uma paleta de cores mais vívida e destaca a iluminação dos ambientes, no desenvolvimento da temática da amizade (não à toa, o filme referencia bastante “O Clube dos Cinco”) e nas músicas presentes na trilha sonora, que segue os passos de “Guardiões da Galáxia” na criação deste sentimento nostálgico, tornando a obra mais imersiva. As cenas de ação do diretor não são tão confusas quanto as de Bay (algo que foi uma reclamação constante nos demais), mas aparece de forma pontual na produção, podendo ter sido melhor explorada.

BUMBLEBEE

O roteiro de Christina Hodson (“Paixão Obsessiva”) tem o mérito de concentrar e desenvolver a relação entre Charlie e Bee, aprofundando de uma forma que não havia acontecido dentro da saga até então, entre um humano e um Autobot. O desenrolar da relação acontece de forma orgânica e se transforma no coração da obra, com destaque para como Bee, mesmo sem falar, ajuda Charlie a enfrentar a perda do pai e a não se sentir tão deslocada dentro da família. Dessa forma, Charlie talvez seja uma das poucas humanas, se não há única, que o espectador consegue se importar dentro da saga.

Entretanto, o roteiro também repete alguns dos erros de seus antecessores. A questão do filme ignorar, por completo, toda a mitologia e o antepassado dos Autobots na Terra, como mostrado em “O Último Cavaleiro”, passa batido, já que a intenção é justamente se desvincular do resto. Entretanto, com exceção de Charlie, novamente não há nenhum outro humano que seja carismático e passível de se importar. O agente Burns, interpretado por John Cena (“O Touro Ferdinando“), tem um arco esquecível e não é nem um décimo tão engraçado quanto o agente Simmons vivido por John Turturro.

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Aliás, apesar do tom mais leve da obra, o humor não é um de seus pontos fortes, com Memo (Jorge Lendeborg Jr., de “Com Amor, Simon“), amigo e potencial par romântico de Charlie, não funcionando como alívio cômico. Outro deslize do texto está nos antagonistas da obra, os Decepticons Shatter e Dropkick, que rastreiam Bee até a Terra. Por mais repetitivo que Megatron fosse nos demais filmes, ele conseguia ser muito mais ameaçador e imponente dentro da história, o que tornava ela mais interessante, com um peso maior. Aqui, os vilões são um mero obstáculo para Charlie e Bumblebee, o que acaba diminuindo os feitos da dupla no desenvolver da trama.

Dessa forma, a única atuação que salta aos olhos é justamente a de Steinfeld, que mantém e personifica esse tom do longa, encaixando-se bem na proposta da produção. Se, como em tantos outros longas da indústria, o 3D não faz nenhuma diferença, ao menos “Bumblebee” tem outra evolução se comparado aos demais: com 1h45 de duração, é a produção mais curta da saga. O tempo menor facilita a edição e torna o longa bem menos cansativo do que os outros.

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Por fim, “Bumblebee” repete alguns dos erros já crônicos dentro da franquia, mas traz um olhar diferente e renovado paro universo dos Autobots e Decepticons. Caso o filme seja um sucesso, talvez seja o caso de se pensar em outras histórias como essa, de escopo menor e mais íntimo, e que foque de forma mais apropriada no relacionamento entre os protagonistas. Apesar de tudo, ainda há esperança para a saga.

Nota: 6,5/10.

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