Como Treinar o Seu Dragão 3

Em desfecho emocionante, capítulo final da trilogia celebra a amizade de Soluço e Banguela”

Por Luís Gustavo Fonseca

Desde o seu lançamento, em 2010, “Como Treinar o Seu Dragão” mostrou o potencial que tinha para contar uma boa história. A animação, que apostava em uma carismática dupla protagonista, tem na amizade o principal ponto de sua narrativa, e esse foi um dos aspectos da adaptação dos livros de Cressida Cowell que mais envolveu o público, conquistando multidões mundo afora. O segundo filme, de 2014, não teve o mesmo desempenho de bilheteria, mas também foi outra obra bem recebida pelos fãs e que aprofundou o universo e as relações entre os personagens, mostrando-se uma continuação tão sólida quanto o original. Quase cinco anos depois, é chegada a hora de terminar a jornada de Soluço e Banguela.

A trama deste capítulo final coloca os moradores de Berk – humanos e dragões – diante de um novo dilema. A medida que o vilarejo se tornou um centro de convívio entre as duas espécies, ele se tornou um alvo para aqueles que pensam que humanos e dragões não podem viver em harmonia, sobretudo para os caçadores de dragões. Soluço, exercendo agora a função de chefe da aldeia, vê que a única saída para salvar a todos é uma migração em massa em busca do Mundo Escondido, uma terra mítica, onde os dragões possam viver em paz. A jornada deles, contudo, não será fácil, uma vez que serão perseguidos pelo famoso caçador de dragões, Grimmel, que fará de tudo para capturar e executar os seres alados – principalmente Banguela, o último Fúria da Noite vivo.

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Para fechar a trilogia, o diretor e roteirista Dean DeBlois, presente nos demais filmes da saga, apostou na temática de saber ceder e de como, às vezes, é necessário abrir mão de algumas coisas para se conquistar outras. O texto foca em mostrar como os personagens podem evoluir e se tornarem melhores quando eles permitem que o mundo ao redor deles mude, não ficando preso no passado. Mudança é algo desafiador, mas não é sinônimo de algo ruim, e essa é uma das principais mensagens focadas pelo enredo.

Um dos exemplos dessa abordagem são os moradores de Berk entendendo a necessidade de deixarem a ilha na qual viveram por sete gerações. Outro é o relacionamento de Soluço e Astrid, com o casal sendo pressionado para se casarem, algo de qual eles não estão inteiramente certos se é o momento ideal para isso ou mesmo se o que querem. O principal exemplo desse desafio é a amizade entre Soluço e Banguela. Assim como no restante da franquia, a relação entre eles é o fio condutor da narrativa. Soluço enfrenta, agora, as responsabilidades e preocupações de um chefe, e ele sente o peso que suas decisões terão na vida de todos.

How To Train Your Dragon: The Hidden World

Seu estado emocional fica ainda mais abalado quando Banguela encontra uma Fúria da Luz, um ser de sua espécie, na qual ele se apaixona perdidamente. A medida que o casal de dragões aprofunda o seu relacionamento, Soluço se vê, cada vez mais, diante da possibilidade de uma vida na qual não terá o seu grande amigo ao seu lado. É uma perspectiva que o atormenta, mas é esse conflito que permite que ele – e Banguela – possam evoluir como personagens.

Ver a força desse relacionamento e o que ele representa para os dois dá uma dimensão maior para a história e para os momentos compartilhados pela dupla, transformando “Como Treinar o Seu Dragão 3” em uma grande celebração dessa amizade . Além do bom desenvolvimento neste quesito, o roteiro de DeBlois também equilibra-se bem entre o drama e o humor, acerta no ritmo da obra, que não cansa, e evita ser demasiadamente frenético. Em uma decisão corajosa, o cineasta aposta em criar sequências longas, de quase cinco minutos, sem diálogo algum, apenas com interações entre Banguela e a Fúria da Luz. Estes são alguns dos momentos mais bonitos (e também engraçados) de todo o filme.

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O visual da produção é outro ponto positivo. O longa tem mais cenas em cenários escuros do que os outros dois (algo que as projeções em 3D, certamente, irão piorar), mas a obra demonstra o mesmo esmero para enfatizar as cores das paisagens, configurando em uma bonita fotografia. Como antes, DeBlois mostra domínio nos planos mais abertos – os momentos mais estonteantes da animação – e nas cenas de ação, na qual o espectador não se perde. O diretor também investe em um bom plano sequência no início da projeção, recurso que, curiosamente, não é muito explorado em animações desse tipo.

De maneira gratificante, “Como Treinar o Seu Dragão 3” é um final digno, bem construído e extremamente emocionante para a trilogia. Embalada, mais uma vez, pela ótima trilha de John Powell (“Han Solo: Uma História Star Wars”), que é perfeita em ambientar o longa e destacar os momentos mais emocionantes do filme, a produção encerra uma caminhada pautada por mensagens importantes e preciosas. O primeiro destacou como não pode haver preconceitos por aquilo que não se conhece; o segundo, que a convivência entre os diferentes é um caminho muito melhor que o controle de um grupo sobre o outro; e agora, de que as mudanças podem existir para auxiliar no crescimento pessoal de alguém.

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Por fim, Soluço e Banguela serão lembrados como uma das duplas mais queridas do cinema, assim como “Como Treinar o Seu Dragão” entra para o hall de grandes trilogias das telonas. Uma conquista para lá de merecida.

Nota: 9/10.

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