Uma Aventura LEGO 2

“Divertida e focando no amadurecimento, continuação do sucesso de 2014 mantém o nível do original”

Por Luís Gustavo Fonseca

Em 2014, a Warner trouxe para o cinema uma das propriedades mais queridas e reconhecidas de todo o mundo: os brinquedos LEGO. Explorando a variedade dos sets de construção feito pela empresa, juntamente com as referências à diversos personagens da cultura pop, a animação foi um sucesso comercial e conseguiu uma indicação ao Oscar – sim, pela música chiclete “Tudo é Incrível”. A partir de então, dois spin-offs, “LEGO Batman: O Filme” e “LEGO Ninjago: O Filme”, foram lançados, com “Uma Aventura LEGO 2” acontecendo cinco anos após o primeiro.

A trama também se passa em um espaçamento de cinco anos, mas em um cenário bastante diferente para os personagens do longa anterior. Após o contato com “alienígenas”, Emmet e os outros entraram em um intenso conflito com os seres de outro planeta, o que destruiu o lugar onde viviam. Agora, eles vivem em Apocalipsópolis, uma realidade a lá “Mad Max” onde nada mais é incrível e todos são durões – com exceção de Emmet, claro. Tentando manter seu otimismo e inocência de sempre, o protagonista terá, mais uma vez, sua vida desconstruída, quando uma misteriosa alienígena rapta Lucy, Batman, Astronauta, UniKitty e o pirata para um casamento intergalático que pode trazer o Armamageddon para todos os legos. Caberá a Emmet, então, partir em uma aventura para ajudar seus amigos e evitar que o pior aconteça.

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Responsáveis pela direção e roteiro do primeiro filme, a dupla Chris Miller e Phil Lord (roteiristas de “Homem-Aranha no Aranhaverso”) retornam apenas como encarregados pelo texto na sequência. O duo consegue repetir alguns dos elementos que tornaram o anterior um longa tão marcante, como na aposta de referências à obras clássicos, como “Aliens”, “Duro de Matar” ou as várias encarnações do Batman, mas tendo cuidado para dosar o lado cômico com a parte dramática. Esse balanceamento faz com que a animação tenha, no geral, um bom ritmo, com a edição provendo fluidez ao alternar entre o núcleo de Emmet e o de seus amigos raptados. O segundo ato, que foca em uma história paralela na jornada do protagonista, é o mais destoante dessa boa dinâmica, mas isso é compensado pelas viradas propostas no ato final, que consegue amarrar os diferentes núcleos e juntar os arcos principais de forma agradável, com boas surpresas em sua resolução.

A premissa principal do original era apontar como cada membro da sociedade lego, de seu próprio jeito, era alguém especial, e que a mistura entre os diferentes sets do brinquedo era algo vantajoso para todos. Já esse investe na temática de transformação que os personagens precisam passar para poderem evoluir. Isso é melhor exemplificado pelos arcos de Emmet e Lucy, que enfrentam o mesmo processo, mas de forma distinta. Por ser o único não “durão” entre seus amigos, Emmet acredita que amadurecer e se tornar mais cascudo é o único caminho para salvá-los. Isso fica mais evidente quando ele conhece Rex Perigoso, um arqueólogo-explorador espacial-domador de velociraptors (em suma, uma brincadeira com os personagens interpretados por Chris Pratt, dublador tanto Emmet quanto Rex no áudio original) descolado e que é a personificação de tudo que o protagonista deseja ser.

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Com Lucy, é o contrário. Líder nata de sua comunidade, o rapto feito pela rainha Tuduki Eukiser’ Ser, a interessada no matrimônio que pode causar o fim de todos, faz com que seus amigos amoleçam após anos vivendo em uma dura realidade – incluindo o Batman, gerando momentos de boas risadas. Relutante em se tornar menos durona, o roteiro encaminha para que ela entenda como essa mudança não apenas pode tornar ela alguém mais feliz, mas melhorar também a sua relação e a forma como ela enxerga Emmet. O núcleo dela e dos demais sequestrados é o que mais permite momentos engraçados, além de trazer novas canções que ficarão grudadas na cabeça do público.

Mike Mitchel (“Trolls”) assume a direção no lugar de Lord e Miller, e mantém o bom trabalho quanto a construção das cenas e as formas de explorar o formato da animação, que combina, mais uma vez, uma chamativa e bem feita mistura entre animação 3D, stop-motion e live-action. O resultado final pode não surpreender da mesma maneira quanto o primeiro foi lançado, mas a obra ainda traz algo de diferente para o gênero. Se o 3D, dessa vez, não é aproveitada com a mesma qualidade de antes, ao menos ele não atrapalha o filme ao escurecer as cenas.

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O fator de novidade e ineditismo pode não estar ao lado de “Uma Aventura LEGO 2”, mas a continuação se prova tão divertida e capaz de entreter quanto o original. Assim como seus principais personagens, a produção mostra um amadurecimento bem vindo, tanto no tom quanto em algumas piadas, e consolida seu potencial para permanecer sendo uma franquia de sucesso nos próximos anos.

Nota: 8/10.

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