John Wick 3: Parabellum

Investindo nas principais qualidades dos filmes anteriores, novo capítulo é o mais visceral e empolgante da franquia de ação”

Por Luís Gustavo Fonseca

O sucesso conquistado por John Wick desde o lançamento de seu primeiro filme, em 2014, é uma das melhores surpresas que houveram no cinema nesta década. Com uma ação visceral e bem filmada, uma pancadaria de primeira e um legítimo protagonista badass, a franquia foi se tornando cada vez mais popular e caindo nas graças do público. Em seu terceiro longa, “Parabellum”, a série estrelada por Keanu Reeves alcança um novo patamar, sedimentando de vez o personagem como um dos melhores heróis da ação moderna.

Retomando do ponto em que o segundo filme terminou, o novo capítulo da franquia começa mostrando a luta de John Wick por sua vida. Com um prêmio de US$ 14 milhões por sua cabeça, e sem acesso aos privilégios e serviços fornecidos pela Alta Cúpula para ele até então, o protagonista se vê diante de um cenário adverso, na qual a cidade toda parece estar a sua procura, ansiando pela sua morte. Ferido e fadigado, Wick analisa suas poucas opções, traçando um caminho que pode levá-lo a redenção e ao perdão dentro do mundo do crime. Uma trajetória que pode conduzí-lo à morte e que será recheado de pancadaria e derramamento de sangue.

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John Wick tornou-se uma franquia devido ao sucesso de suas cenas de ação e, neste novo longa, elas estão em seu ápice. Compreendendo que estes momentos são a assinatura dos filmes, o diretor das obras anteriores, Chad Stahelski, eleva a pancadaria a um novo nível, conseguindo criar sequências ainda mais mirabolantes e dinâmicas. Lutas usando facas e livros, perseguições à cavalo, lutas de espadas, lutas de espadas em cima de motocicletas… É uma obra que aposta muito mais nos duelos corpo-a-corpo do que os antecessores, mas mantendo a beleza estética desses confrontos. A dinâmica também é renovada com a inserção de uma aliada: Sofia (Halle Berry), uma amiga de Wick que o ajuda em sua jornada. Pela primeira vez lutando em dupla, a entrada da personagem dá um novo fôlego para as cenas, ainda mais com ela utilizando de seus cachorros para atacar os inimigos. É, sim, uma ação diferenciada, centrada em efeitos práticos e que pouco utiliza de efeitos especiais para conquistar o que almeja.

Os planos, mais uma vez, são abertos, compreensíveis e capazes de transmitir todos os elementos presentes das lutas, apostando em poucos cortes e deixando que as lutas durem mais tempo, até com alguns bons planos sequência. Esteticamente, o longa também mantém o visual que remete à graphic novels, na medida em que as cores (azul, vermelho e verde principalmente) ditam o tom da fotografia, fazendo o filme parecer um pouco mais quadrinho.

John Wick 02

Por serem inventivas, as cenas de ação não cansam, mas o ritmo do roteiro também colabora para que o longa não se torne cansativo. A história continua simples, direta – o que sempre foi uma das qualidades das obras -, e é certeira em criar um clima de tensão e expectativa ao acompanhar Wick, dando a impressão que toda a cidade de Nova York está atrás dele, e que suas chances são mínimas. O nível de dificuldade para que Wick cumpra as etapas de sua caminhada vão aumentando gradualmente, sendo satisfatório ver como ele resolve as situações com habilidade e inteligência. Claro que é mais divertido ver as lutas em que ele enfrenta outros assassinos, algo que dê mais personalidade aos duelos, do que ao enfrentar tropas intermináveis de guardas e seguranças armados, algo que o filme acaba abusando em certos momentos.

O enredo também traz uma bagagem de novos elementos para o espectador, com a mitologia por trás da misteriosa Alta Cúpula, que comanda o crime na cidade, expandindo-se mais uma vez. Uma juíza (Asia Kate Dillon) fica responsável por encontrar aqueles que o ajudaram Wick e puní-los, caso de Winston (Ian McShane), o rei de Bowery (Laurence Fishburne) e a chefe da máfia de Bielorrússia (Anjelica Huston). É uma antagonista que tem mais força do que o do longa anterior, com a boa atuação de Dillon colaborando para isso. No mais, é um roteiro que sabe de sua proposta mais simplória e que por isso, opta por resoluções simples, tornando a obra redonda e não deixando de priorizar a ação.

John Wick 03

Outro charme da obra fica por conta da atuação de Reeves como Wick, falando pouco e fazendo muito, assim como pelo fato dele fazer as suas cenas de ação, poucas vezes precisando de um dublê. Algo semelhante ao que Tom Cruise faz em “Missão: Impossível” e que, por isso, conquista da mesma forma, deixando as cenas ainda mais críveis. ao mesmo tempo em que você se envolve mais com o personagem. A trilha sonora de Tyler Bates, que retorna para compor novamente para a saga, reaproveita alguns dos temas dos filmes anteriores, mas não traz tanta novidade para a trilha e, por isso, não proporciona o mesmo envolvimento das demais.

Um gancho para o próximo filme está claro, e a julgar pelo sucesso gradual da franquia, “Parabellum” tem tudo para se tornar um novo pico da série. O longa se posta como um bastião para o gênero de ação, mostrando que ainda há muito para se explorar  dentro do gênero, sem a necessidade de depender de efeitos especiais. Um deleite para os fãs, a medida que John Wick se torna, cada vez mais, um dos grandes heróis de ação de todos os tempos.

Nota: 8/10.

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