MIB: Homens de Preto – Internacional

“Novo capítulo da franquia tem roteiro pouco inspirado, mas que é compensado pela carisma de Tessa Thompson e Chris Hemsworth”

Por Luís Gustavo Fonseca

Estrelada por Will Smith e Tommy Lee Jones, a franquia “MIB: Homens de Preto” tornou-se um incrível sucesso comercial no final dos anos 90. Acompanhando dois agentes de uma organização de proteger a Terra de ameaças alienígenas, ao mesmo tempo em que ajudava e trabalhava ao lado de alguns desses extraterrestres, as obras caíram no gosto do público, que tinha como base a ótima junção entre fantasia, ficção científica e elementos de comédias policiais, no melhor estilo buddy cops. Nove anos após o lançamento do terceiro filme, “MIB: Homens de Preto – Internacional” chega com a missão de dar continuidade ao legado da série, mas com novos rostos como protagonistas.

A trama acompanha Molly (Tessa Thompson), uma mulher que procura saber o que é a MIB desde pequena, quando, enquanto estava escondida, viu a agência vir até sua casa e apagar a memória de seus pais. Quando ela finalmente consegue encontrar a instituição, ela insiste para que a agente O (Emma Thompson) dê uma chance para que ela se prove como uma agente digna do MIB. Impressionada pela vontade e as qualidades de Molly, O a contrata para um período probatório e a envia para Londres. Na capital inglesa, ela, agora agente M, será parceira do agente H (Chris Hemsworth), e os dois se verão no meio de uma intriga institucional, uma vez que a agência aparenta ter um espião, que pode comprometer a MIB – e dessa forma, a segurança de todo o planeta.

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Se a marca da franquia sempre foi a sua dupla de protagonistas, com um descontraído WIll Smith e um carrancudo Tommy Lee Jones – e, no terceiro filme, Josh Brolin -, o novo filme entende que é necessária a manutenção deste aspecto se ele almeja conquistar o público. A escolha de Thompson e Hemsworth para interpretarem o duo principal não poderia ser mais acertada. É uma parceria que remete ao que foi feito entre Smith e Jones, já que M é inteligente, dedicada e decidida, enquanto H é alguém mais carismático e que não mede a consequência de seus atos, mas que leva a vida de forma despreocupada.

A dupla já havia trabalhado junto em “Thor: Ragnarok”, onde demonstraram ter boa química, e isso é expandido agora. O fato deles já terem maior intimidade ajuda a tornar o relacionamento dos personagens mais crível, tornando as piadas mais divertidas e orgânicas. Felizmente, o texto opta por não transformá-los em um casal romântico, enfatizando o caráter de parceria entre eles, com as duas boas atuações coroando isso. Chris Hemsworth se encontrou como um ator de comédia e cada vez fica mais confortável em papéis desse gênero, enquanto Tessa Thompson mostra ser adaptável ao estilo, diferente de seus papéis mais dramáticos como em “Creed” ou “Westworld”.

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Entretanto, o roteiro não está no mesmo nível da dupla. Por um lado, o texto acerta na imersão em relação à continuidade da construção de universo, mostrando uma rica variedade de alienígenas, de habilidades e características distintas. É o que ajuda a deixar o mundo do filme mais sólido e interessante, além de possibilitar bons easter eggs da saga. Mas a história que conduz a produção não tem a mesma solidez. Superficial, o enredo esquece de aprofundar melhor os perigos que perseguem os heróis, explicando e desenvolvendo as motivações dos antagonistas. Uma ameaça que, ao mesmo tempo que é grave e compromete todo o planeta, acaba se mostrando vazia, sem muita personalidade.

De certa forma, esse aspecto sempre foi uma constante na saga, mas havia um questão mais pessoal, íntima, envolvendo os heróis e os vilões, que ajudava a sustentar a trama. A questão do espião infiltrado na MIB poderia ser algo para trabalhar esse aspecto. No decorrer dos fatos, M e H acabam ficando em posse da arma mais poderosa do universo, mas uma vez que a MIB está comprometida por dentro, eles não sabem em quem confiar para entregá-la. Tendo apenas um ao outro, esse cenário ajuda a construir a relação entre ambos (que novamente, é o ponto forte da produção). Mas os afasta desse outro núcleo, tirando o peso da ameaça. A solução do mistério e do grande problema também é pouco inventiva, o que diminui o impacto da virada principal da obra.

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A direção de F. Gary Gray (“Velozes e Furiosos 8”) é satisfatória, mesmo que não seja uma direção que tenha tanto destaque. Na franquia da Universal, ele teve mais liberdade para fazer um espetáculo visual, mas o intuito aqui era proporcionar cenas de ação de menor escala. O resultado final pode até não ser tão chamativo quanto antes, mas ainda são cenas de ação bem desenvolvidas, bem editadas e longe de serem escuras, com a maioria delas acontecendo a luz do dia. Ele ainda consegue proporcionar uma boa intimidade entre o espectador e a dupla protagonista, mas longe da excelência com que ele executou isso em “Straight Outta Compton: A História do N.W.A

Fora Thompson e Hemsworth, as demais atuações não têm o mesmo destaque, mas há bons trabalhos na obra: um deles é a dublagem de Kumail Nanjiani como o alienígena Pawny, uma espécie de peão de xadrez que prometeu defender com sua vida sua nova rainha, M. O timing cômico dele está alinhado com o da dupla principal, tornando os momentos entre os três ainda mais proveitosos. Rafe Spall, como o irritante agente C, também é uma boa adição, mas Liam Neeson acaba sendo desperdiçado, ficando abaixo das expectativas.

1233076 - MEN IN BLACK: INTERNATIONAL

Apesar das falhas e de uma história frágil, “MIB: Homens de Preto – Internacional” consegue dar continuidade ao universo da franquia, ao mesmo tempo que serve como bom cartão de visitas para os novos protagonistas. Se a saga tiver continuidade nos cinemas, ao menos ela não terá que se preocupar com o humor e a química de seus protagonistas para buscar uma evolução.

Nota: 6,5/10.

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