O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

“Inspirado na estrutura dos filmes originais, novo longa da franquia aproveita-se de algumas das melhores qualidades ensinadas por James Cameron”

Por Luís Gustavo Fonseca

Seguindo o exemplo de “Halloween” no último ano, a franquia “Exterminador do Futuro” decidiu buscar um novo início nos cinemas. Diretor dos dois primeiros longas, o cineasta James Cameron retorna para trabalhar com a franquia, atuando como produtor da nova obra. O seu envolvimento no filme é algo tão importante que este chega aos cinemas sendo “a continuação de verdade” de “Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final“, com todos os filmes lançados após 1991 sendo ignorados nesta linha temporal.

Optando por apostar em uma fórmula mais conhecida, o novo filme se inspira na estrutura das produções originais: Dani Ramos (Natalia Reyes) tem uma vida tranquila ao lado do pai e do irmão, até que sua vida é virada de cabeça para baixo. Subitamente, Grace (Mackenzie Davis) aparece para protegê-la, a todo custo, do modelo Rev-9 dos Exterminadores (vivido por Gabriel Luna). A caçada que determinará o futuro da humanidade então se inicia, e nessa perseguição, uma aliada singular poderá fazer toda a diferença para Dani e Grace: Sarah Connor (Linda Hamilton).

Dark Fate 04

Pode ser que, justamente por ter Cameron como parte participativa do projeto, “Destino Sombrio” recorra tanto as suas origens. Uma das inspirações está relacionada ao visual e ao desenvolvimento das cenas de ação, que é uma das assinaturas da franquia. Diretor de “Deadpool”, Tim Miller é o encarregado por comandar “Destino Sombrio” e de lidar com esta tarefa. Ele consegue imprimir uma dinâmica nestas cenas que são, ao mesmo tempo, frenéticas, mas sem serem desorganizadas, que deixem o espectador perdido sobre o que está acontecendo. Um provável fruto do seu trabalho no longa do Mercenário Tagarela é como ele consegue executar boas sequências de luta corpo-a-corpo, dando uma brutalidade bem vinda e visceral aos embates dos personagens, algo que raramente se viu em todos os filmes anteriores.

No entanto, os efeitos especiais em algumas das cenas mais abertas, com mais elementos do que apenas a luta corporal, não têm o mesmo brilho, com um irrealismo dos movimentos que te colocam para fora da imersão. Sem contar que falta um pouco mais de ousadia para criar cenas mais emblemáticas, que poderiam, por exemplo, terem takes mais longos, ou um enquadramento menos convencional. Ainda mais se pensar como produções recentes, como “John Wick: Parabellum” e “Missão: Impossível – Efeito Fallout”, receberam grandes elogios justamente por escolherem este caminho.

Dark Fate 01

Quando se fala de “Exterminador do Futuro”, muito se diz sobre a precisa execução da ação ou sobre seus efeitos especiais. Mas o roteiro de “Destino Sombrio” lembra que um dos ingredientes que transformaram os dois primeiros em obras tão queridas são os relacionamentos desenvolvidos em tela. Assim como Kylo Reese no primeiro, o texto se preocupa em apresentar em desenvolver Grace, uma humana aprimorada tecnologicamente e que tem sólidos motivos para proteger Dani. 

E há tempo para que isso seja estabelecido. Existem momentos de pausa da constante perseguição em suas 2h8min de duração – o que ajuda a criar um bom ritmo, sem cair na armadilha de ser atrapalhadamente desenfreado -, sendo aí que estes relacionamentos se desenvolvem e são reforçados. Não há o mesmo esmero que a relação entre o T-800 e John Connor no segundo filme, mas ao menos é um trabalho que recebe atenção e torna a obra mais atrativa.

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O retorno de Linda Hamilton a uma das heroínas mais queridas do cinema também não é gratuito, felizmente. Além de servir como uma espécie de mentora para Grace e Dani, ela também tem seu próprio arco dramático, com feridas abertas que a jornada irá fazer com que ela encare. Sim, ela ainda é a badass lutadora e sangue nos olhos que conquistou o público em 1991, mas não deixa para trás sua humanidade. E ter essa carga emocional consigo faz com que seu encontro com um envelhecido T-800 (Arnold Schwarzenegger) seja mais que uma mera referência, mas algo que acrescente a jornada de ambos.

Se a condução da história é satisfatória, dentro da premissa, o principal problema pode residir justamente na proposta: ser algo que apenas recicla elementos dos filmes anteriores, na estrutura e na elaboração dos personagens, mas que pouco traz algo de novo. A presença de Cameron poderia ajudar a trazer uma inovação distinta para a franquia, para além de adicionar novos recursos para contar a história, como a presença de drones, celulares e a Internet – algo pouco comum nos filmes originais. Claro, ir por um caminho totalmente diferente como “Exterminador do Futuro: A Salvação” também pode não ser a resposta, mas poderia-se pensar em formas de criar uma narrativa que não se apresente apenas como um remake dos dois primeiros – por mais que tenham acertos nessa abordagem.

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Uma novidade que há de se destacar é a ideia de colocar três mulheres como protagonistas de um filme de ação deste tamanho, algo que muito raramente acontece em Hollywood. As atuações não são o ponto mais forte da produção, mas ao menos há uma sinergia entre as protagonistas, e cada uma delas consegue dar um pouco mais de camadas para a sua personagem.

Após anos com filmes que desagradaram os fãs, “Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” cumpre a missão de, ao menos, emular algumas das melhores qualidades presentes nos primeiros filmes. Apesar de que sempre há portas abertas para uma sequência, a sensação de desfecho conseguida pela trama é outro mérito, terminando assim uma caminhada iniciada em 1984.

Nota: 6,5/10

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