Link Perdido

Mesmo com história inconsistente, nova produção da LAIKA salta aos olhos pelo visual”

Por Luís Gustavo Fonseca

Uma referência dentro do formato, o estúdio LAIKA se sobressaiu na última década pela produção de animações no estilo stop motion. Na contra-mão das animações 3D que tomaram contar do mercado norte-americano nas últimas duas décadas, as obras do estúdio conseguiram conquistar tanto o público quanto a crítica, conseguindo elogios e indicações à premiações importantes como o Oscar. O novo trabalho do estúdio, “Link Perdido”, chega para mostrar, uma vez mais, a beleza envolvendo produções deste estilo de animação.

A trama acompanha a jornada do Sir Lionel Frost, um excêntrico investigador de monstros e mitos que aspira ser famoso por suas descobertas, mas que não encontra o reconhecimento de outros intelectuais na sociedade britânica. Procurando de toda forma ser aceito por aqueles que considera os seus iguais, Lionel parte em uma aventura ao Noroeste da costa do Pacífico norte-americana, procurando obter provas definitivas da existência de uma criatura lendária: o link perdido entre o homem e seus ancestrais primatas.

Missing Link 04

Chris Butler é o responsável pela direção e pelo roteiro da obra, sendo ele o encarregado de ter comandado alguns dos últimos trabalhos de destaque da LAIKA, como “Kubo e as Cordas Mágicas” e “Paranorman”. Nesse novo projeto, ele mais uma vez mostra a beleza da animação stop motion, conseguindo proporcionar uma arte de assinatura própria e que, mesmo por natureza, diferencia-se bastante da muitas das demais animações produzidas no cenário atual.

Os traços dos personagens são mais distintos e que destacam mais os aspectos físicos de cada um deles, como o nariz pontudo e o queixo avantajado de Sir Lionel. Uma escolha que acaba dando mais personalidade aos personagens, influenciando na maneira como o espectador se relaciona com eles. 

 

Mas talvez o que mais salta aos olhos é a interação entre os personagens e os cenários, o encontro do stop motion com efeitos especiais. Há uma fluidez impressionante na animação, sobretudo nas cenas envolvendo água. Você percebe que é uma outra técnica, mas o encaixe das duas é ideal. Os cenários de fundo também são caprichosamente trabalhados, com vários momentos que cria-se verdadeiros quadros na tela. Mais uma vez, é a LAIKA – e Butler – mostrando todo o potencial da arte.

Missing Link 05

Já em relação ao roteiro, não há o mesmo nível de inovação, com a história desenvolvendo-se de uma forma mais tradicional e previsível. Uma decisão que diminui o potencial do filme, mas que sabe trabalhar seus personagens. Apesar de bem intencionado, Sir Lionel é um homem egoísta, pondo sempre suas vontades e desejos em primeiro lugar. O que faz dele alguém muito sozinho e solitário, já que nenhum ajudante suporta mais conviver com suas excentricidades e obstinadas buscas. Dessa forma, reforçando a vontade de ser aceito pelos demais.

 

Entretanto, ao conhecer justamente a criatura que ele procurava, a quem ele chama de Sr. Link, ele inicia uma jornada de crescimento próprio. Inteligente e capaz de falar, o Sr. Link revela que foi sua ideia dar a pista para que Sir Lionel o encontrasse. Seu plano é que, com a ajuda do explorador, ele possa atravessar o mundo até o Himalaia e encontrar seus “primos” distantes: os Yetis.

A partir desse contato, há início de uma dinâmica conhecida e divertida, em que o investigador britânico funciona como a pessoa mais séria e formal, enquanto o Sr. Link é um ser mais desajeitado e divertido. São essas diferenças que ajudam a pontuar o humor da obra – que nem sempre acerta, mas que consegue divertir – e ditam o ritmo da produção. 

Missing Link 03

Apesar das diferentes personalidades, ambos têm o mesmo objetivo em mente: serem aceitos pelos outros. E a medida que eles vão se conhecendo melhor, eles percebem o quanto têm a ganhar com a amizade entre eles. Para ajudá-los nesta viagem soma-se Adelina, a viúva de um ex-companheiro de exploração de Sir Lionel, que desempenha um papel importante em fazer o investigador ver o que precisa fazer para ser alguém melhor.

O ponto mais fraco da história acaba sendo o antagonista, o Lorde Piggot-Dunceby, que trama formas para que Sir Lionel não cumpra seu objetivo. O roteiro até destaca as características negativas dele, como seu pensamento retrógrado, de quem considera ele como a civilização e o ponto alto da humanidade, enquanto os demais são seres atrasados e indignos. Mas acaba sendo uma abordagem muito rasa e superficial, transformando-o em uma caricatura – e de pouco peso para contrabalancear o enredo.

Missing Link 02

Apesar da certa inconsistência do roteiro, “Link Perdido” se destaca pelo primor em relação ao visual e o consequente destaque que dá ao estilo stop motion. Os créditos mostram um pouco do processo de construção das cenas por trás das câmeras do processo de construção das cenas, deixando claro todo o trabalho envolvido. Que o estúdio, já consagrado nesta estilo desde “Coraline”, possa continuar investindo e inovando em produções deste estilo.

Nota: 6,5/10.

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s