Frozen II

Sequência da Disney acerta ao focar na relação das irmãs Anna e Elsa, mesmo não apresentando o brilho do primeiro filme

Por Luís Gustavo Fonseca

Historicamente, a Disney sempre conseguiu emplacar grandes sucessos nos cinemas, que conseguiam a aprovação da crítica e faziam sucesso entre o público. No entanto, as sequências dessas produções, muitas vezes feitas diretamente para o mercado de home video, não conseguiam manter a qualidade do material original. Só observar alguns exemplos das obras da década de 90, como “A Pequena Sereia“, “Aladdin“, “O Rei Leão“, “O Corcunda de Notre Dame” e “Mulan“. Com o lançamento de “Frozen II”, o estúdio se vê diante da difícil tarefa de continuar com a história de sua animação de maior bilheteria da história, e que transformou-se em um fenômeno mundial ao final de 2013.

A trama da sequência propõe explorar o passado das irmãs Anna e Elsa, sobretudo em relação a questão da origem dos poderes de Elsa. Elas são motivadas a encontrar uma antiga e misteriosa floresta localizada ao norte de Arendelle, descrita em uma história contada pelo pai delas, que descrevia o lugar como o habitat dos quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Em busca de respostas, as duas partem em uma missão, com a companhia de Kristoff e Olaf, para compreender não apenas o passado de sua família, mas também o de seu próprio reino – e que pode ser a chave para salvá-lo.

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O principal desafio encontrado pelos diretores Chris Buck e Jennifer Lee, responsáveis pelo primeiro filme, era como dar continuidade a uma trama que, necessariamente, não precisava de um novo capítulo. Claro, é interessante descobrir mais sobre o porquê de Elsa ter seus poderes, mas este nunca chegou a ser um ponto que exigia mais explicações, tanto que o primeiro filme se sai muito bem sem precisar se aprofundar este aspecto. Além disso, era outra tarefa difícil do roteiro tentar conseguir transmitir uma mensagem tão forte quanto a do longa-metragem anterior, focada na união entre as irmãs e a independência delas.

Um dos pontos positivos da continuação é justamente estar ciente de como essa relação é vital para a história e de como o público espera que isso continue sendo trabalhado. Durante a nova aventura, a ligação ente Anna e Elsa ainda é o ponto condutor da narrativa e, com isso estando em destaque, o texto encontra formas para desenvolver e aprofundar esse relacionamento e as personagens.

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Agora rainha, Elsa ainda se sente insegura sobre seu lugar naquele mundo e não sabe exatamente o que ela quer, mesmo que ela seja a pessoa mais poderosa do reino. Portanto, ela enfrenta o dilema de ter que ser uma líder e cumprir com as obrigações do seu cargo para com seu povo, ao mesmo tempo em que anseia, ainda, livrar-se das responsabilidades e viver do jeito que realmente se sente mais confortável. Enquanto isso, Anna tem a expectativa de que tudo esteja exatamente como estão no início do filme, sem que nada mude no futuro – tema explícito de uma das primeiras músicas do longa, na qual ela compartilha esse desejo com Olaf. A jornada faz com que ela precise entender a necessidade de mudanças e que, por mais que elas não sejam o que ela espera, tais mudanças são necessárias para que ela evolua como pessoa e possa ir em frente.

Se por um lado essas ideias para os arcos das protagonistas são interessantes e com boas mensagens, a execução delas não é realizada no mesmo nível. O ritmo da obra é um tanto inconsistente, sendo que isso é fruto, sobretudo, do encaixe dos arcos secundários de Kristoff e Olaf. O namorado de Elsa tem planos para pedir-lhe em casamento, passando boa parte da trama tentando – e falhando – em declarar-se para ela. É um núcleo que acaba ficando deslocado do restante e que não mostra o mesmo aprofundamento dos demais. A sequência musical com o personagem é um bom exemplo desse deslocamento, causando uma sensação de estranheza e de que, ao contrário das demais músicas, a sua existência ali não faz muita diferença.

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Já em relação ao arco de Olaf, o problema principal é que ele é, de certa forma, uma repetição mais rasa da jornada de Anna, ao menos na parte dramática. Desde que ela comenta sobre a vontade de que as coisas não mudem, o boneco de neve passa a obra procurando entender como os novos acontecimentos irão mudar a sua vida e o que ele pode aprender com isso. Entretanto, isso é compensado pelo humor que o roteiro injeta nos diálogos do personagem, que conseguem, mais uma vez, divertir o espectador e serve para balancear a parte mais dramática com a cômica.

Visualmente, a produção é tão ou ainda mais deslumbrante que o original, apresentando uma excelente fotografia, que realça tanto os cenários mais coloridos quanto os mais escuros, seja em cenas em ambientes interiores ou envolvendo névoa. Desta vez, as músicas, que foram um dos grandes chamativos do primeiro filme, não ficam na cabeça da mesma forma como foi no antecessor, talvez fruto da expectativa criada em relação a este aspecto e que o longa antecessor não tinha antes de sua estreia. Isso não reduz, no entanto, sua qualidade, já que as composições conseguem ajudar a construir uma boa trilha sonora, além de funcionarem como um recurso de roteiro importante para desenvolver a história.

“Frozen II” pode não estar no mesmo nível do original, mas é uma das sequências da Disney que mais chances tem de satisfazer o público. Ao contrário de outros exemplos, a produção consegue desenvolver seus personagens, expandir o universo da franquia e, merecidamente, justificar o motivo de sua existência.

Nota: 7/10.

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